O vinho tem textura?

Se levarmos em conta literalmente a definição, podemos afirmar que não. É uma característica própria de produtos sólidos, portanto não deveria ser utilizada para líquidos. O correto seria utilizar a expressão fluidez e no caso de produtos semi-sólidos consistência.

A definição de textura é tão complexa, como o amplo vocabulário para definir as características de um vinho. Muitas vezes escutamos dizer que o objetivo é descomplicar o mundo do vinho, no entanto, complicamos ainda mais, com palavras ambíguas ou expressões incorretas.

Segundo algumas normas, a textura é definida como o conjunto de propriedades mecânicas, geométricas e de superfície de um produto, detectáveis pelos receptores mecânicos e táteis e, eventualmente pelos receptores visuais e auditivos.

Sem entrar em tecnicismo, somente para esclarecer – a textura é principalmente percebida pelo tato. Fala-se de características reológicas, que tem a ver com questões mecânicas, como a deformação que experimenta um produto quando é exercida uma força. Por exemplo, na boca, quando mordemos e mastigamos algum alimento (dureza, maciez, crocância e demais); e características estruturais: composição, granulosidade, aspereza, entre tantos outros. Vários delas detectadas também pela visão e até audição.

São muitos os termos utilizados na descrição de um vinho relacionados a textura, como: macio, áspero, aveludado, suave, viscoso, cremoso, oleoso, e outros. Alguns deles, em minha opinião, são válidos para comunicar certas sensações, mas, tenho  escutado algumas expressões erradas, como “crocante”, o que é muito difícil de entender. Acredito que devemos utilizar com cuidado ditas expressões para não confundir.

Em matérias posteriores falarei sobre outros  termos que nem sempre são bem empregados na descrição das características organolépticas de um vinho.

Mario Leonardi.

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